Paredes Ópticas: Mediação

Assim que você entrar na sala de paredes ópticas experimente ficar parado alguns segundos perto da entrada e contemplar a sala cheia de fumaça. Observe a dança que os três aparelhos pendurados do teto realizam. Tente sentir o tamanho da sala. Será um cômodo pequeno ou grande? O teto está próximo ou distante do topo da sua cabeça? Onde fica o outro lado? Quantos passos você precisa dar para alcançá-lo?
Perceba a movimentação que os três retângulos fazem no espaço. Se geralmente ao pensar em paredes, imaginamos algo que bloqueia, interrompe e divide, aqui nas paredes ópticas temos superfícies intangíveis feitas de luz que se movimentam, entrecruzam, apagam e acendem, invertendo a ideia habitual que temos de uma parede. Em alguns momentos podemos vê-las por inteiro, já em outros elas iluminam partes dos nossos corpos, passam por nós, nos envolvem em seus feixes e depois nos colocam para fora deles.
Observe agora a relação entre a luz e a névoa. Como o movimento das luzes altera a sua percepção do espaço? Você consegue enxergar o outro lado da sala? Seus limites são fixos ou móveis?
Note a inversão proposta na obra: aquilo que geralmente dificulta a visão, a névoa, permite que vejamos a luz ganhar corpo e densidade. A luz, por sua vez, em vez de nos ajudar a ver o outro lado, dificulta nossa visão e nos coloca, mesmo que temporariamente, em um lugar infinito, sem paredes e limites, exceto aqueles delimitados pelos efeitos ópticos que não param de se mover dentro da sala.